A conselheira tutelar Mirian Herrera se manifestou publicamente sobre as recentes denúncias de comerciantes do centro de Três Lagoas, as quais envolvem uma criança acusada de praticar ameaças e danos a estabelecimentos comerciais.
Em entrevista concedida nesta sexta-feira, 13, Mirian afirmou que o Conselho Tutelar tem trabalhado no caso, enfatizando, porém, que a situação demanda também uma ação direta por parte da segurança pública.
Mirian reforçou que o órgão frequentemente recebe denúncias sobre crianças em situação de mendicância, especialmente aquelas pertencentes a grupos itinerantes que permanecem temporariamente na cidade. Ela afirmou que o Conselho Tutelar é sempre acionado e comparece quando há denúncias de crianças indígenas ou ciganas no centro.
A conselheira explicou que, em ocorrências anteriores, os conselheiros chegaram a intervir diretamente junto às famílias, mas enfrentaram dificuldades devido à falta de apoio policial. Ela declarou que a situação não compete mais apenas ao Conselho Tutelar, mas também à segurança pública, e que já oficializaram o batalhão, a Polícia Regional e o Ministério Público, solicitando uma ação conjunta.
Mirian relatou episódios de tensão durante as abordagens. Em uma das situações, dois homens teriam ameaçado a equipe com pedras quando esta foi averiguar uma denúncia envolvendo crianças em um acampamento. Em outro caso, uma conselheira teria sido alvo de agressividade durante um atendimento no centro.
Sobre o caso mais recente, no qual comerciantes relataram que uma criança estaria ameaçando pessoas com um objeto cortante e causando danos materiais, Mirian afirmou que o Conselho foi acionado no mesmo dia e realizou diligências. Ela disse que estiveram nos pontos indicados pela população e também nos acampamentos, mas não conseguiram localizar a criança.
De acordo com a conselheira, existem dúvidas sobre a origem do grupo envolvido. Ela pontuou que existe a hipótese de que algumas pessoas estejam se passando por ciganos ou indígenas para cometer esse tipo de situação, e que é preciso apurar isso com responsabilidade.
Mirian reforçou que, caso a criança seja localizada, serão adotadas as medidas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Ela explicou que, se a situação de risco for confirmada, os responsáveis poderão responder por colocar a criança em vulnerabilidade. O objetivo do Conselho, segundo ela, é garantir proteção e tratamento adequado, inclusive psicológico, se necessário.
A conselheira também rebateu críticas sobre a atuação do órgão, afirmando que o Conselho Tutelar não retira crianças de seus pais porque quer, mas apenas com ordem judicial ou em situação de risco iminente. Ela enfatizou que o papel do Conselho é proteger e orientar, e não substituir a família.
Por fim, Mirian pediu o apoio da população, solicitando que, caso alguém saiba do paradeiro da criança, acione imediatamente o Conselho Tutelar, para que possam localizá-la e assegurar o atendimento necessário, evitando novos episódios.
As denúncias foram registradas no início da tarde da quarta-feira, 11, na região central de Três Lagoas. Imagens de câmeras de segurança mostram uma menina, com idade entre 8 e 12 anos, entrando em diversas lojas da Rua Paranaíba e causando transtornos aos comerciantes.
De acordo com relatos, a criança estaria acompanhada por um grupo de mulheres, entre seis e oito pessoas, que percorrem o comércio oferecendo panos de prato para venda. As lojistas relatam que, quando os comerciantes se recusam a comprar, a menina passa a agir de forma agressiva.
A Polícia Militar e o Conselho Tutelar foram acionados. Conforme informações repassadas às vítimas, a criança já teria sido vista em outros pontos da cidade durante a manhã. No entanto, até o momento, o grupo não foi localizado.
Devido ao fato de se tratar de uma menor de idade, os comerciantes foram orientados a evitar confrontos diretos e acionar as autoridades em caso de novas ocorrências.