Curadoria Inteligente
09/02/2026 | 3 min leitura

Fiocruz auxilia o SUS na preparação para o vírus Nipah, apesar do baixo risco no Brasil

A Fiocruz colabora com o SUS para preparar o país contra o vírus Nipah, mesmo com o risco considerado baixo pelas autoridades de saúde.

Fiocruz auxilia o SUS na preparação para o vírus Nipah, apesar do baixo risco no Brasil

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) está colaborando com o Sistema Único de Saúde (SUS) na preparação para possíveis casos do vírus Nipah (NiV), apesar de o risco para o Brasil ser considerado baixo pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde.

Atualmente, existem apenas dois casos confirmados da doença na Índia, sem registros fora do Sudeste Asiático. As autoridades de saúde afirmam que não há indicação de risco de disseminação internacional ou ameaça à população brasileira.

Tânia Fonseca, coordenadora de Vigilância em Saúde e Laboratórios de Referência da Fiocruz, informou que o vírus só circulou no Sul e Sudeste da Ásia, com surtos esporádicos registrados em países como Malásia, Singapura, Índia, Bangladesh e Filipinas. Ela destacou que o vírus Nipah está na lista de patógenos prioritários da OMS, juntamente com outros com potencial pandêmico e/ou de gravidade acentuada.

Mesmo sem indicação de risco no Brasil, a Fiocruz mantém equipes técnicas e infraestrutura preparadas para qualquer eventualidade. A análise de amostras suspeitas será concentrada no Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), laboratório de referência do Ministério da Saúde para o vírus. O atendimento de possíveis pacientes será realizado no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), unidade hospitalar de referência.

O vírus Nipah é transmitido principalmente por morcegos frugívoros da família Pteropodidae, conhecidos como raposas-voadoras. A infecção pode ocorrer pelo consumo de alimentos contaminados por saliva ou urina desses animais, além de, mais raramente, pela transmissão entre pessoas ou pelo contato com superfícies contaminadas.

Ricardo Moratelli, coordenador-executivo da Fiocruz Mata Atlântica, explicou que essas espécies não existem no Brasil nem nas Américas, vivendo na Ásia, Oceania, Madagascar e partes da África. Ele afirmou que não há qualquer evidência de circulação do vírus Nipah nas espécies de morcegos que ocorrem no Brasil.

Moratelli também ressaltou a importância dos morcegos para o equilíbrio ambiental, destacando que eles desempenham serviços ecossistêmicos fundamentais, como a dispersão de sementes, polinização e controle de insetos que podem ser pragas agrícolas ou vetores de doenças.

Como medida preventiva, a Fiocruz e o Ministério da Saúde ajustaram os protocolos de diagnóstico e o fluxo de atendimento para possíveis suspeitas da doença. O plano inclui a disponibilidade de testes laboratoriais, com validação da Coordenação-Geral de Laboratórios de Saúde Pública (CGLAB), caso haja necessidade de investigação no país.

As autoridades reforçam que não há motivo para alerta à população e que o monitoramento segue de forma preventiva e técnica, como parte das ações de vigilância em saúde pública.

Original em Radio Caçula

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