Operação experimental com 41 composições visa segurança viária
A operação experimental, autorizada pela Senatran, envolverá 41 composições em trechos específicos e não pavimentados. Conforme a Suzano, a iniciativa busca aumentar a segurança nas vias e diminuir a circulação de veículos pesados nas rodovias asfaltadas.
A autorização para a circulação experimental de caminhões hexatrem em Mato Grosso do Sul gerou diversas interpretações incorretas nas redes sociais, logo após a publicação da Portaria nº 571 da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran). Muitos comentários de internautas indicavam que essas grandes composições circulariam livremente pelas rodovias asfaltadas do Estado, informação que não está alinhada com as condições definidas para a operação.
Em vista da grande repercussão e da imprecisão das informações, o Perfil News investigou a fundo para detalhar como a operação será conduzida e quais são os propósitos da Suzano ao empregar os hexatrens.
O aspecto crucial é que os hexatrens, aprovados para este período experimental, somente circularão em seções não pavimentadas e predefinidas. A estratégia logística, segundo a empresa, consiste em empregar essas composições de alta capacidade para transportar madeira entre os hortos florestais e as fábricas, o que consequentemente diminuirá o número de caminhões tritrem que hoje precisam transitar pelas rodovias asfaltadas.
Menos veículos pesados em rodovias asfaltadas
(Imagem: Hexatrem circulando em rodovias próprias da Suzano. Crédito: Assessoria)
A fase experimental terá um período de 12 meses e tem previsão para iniciar em breve. No total, 41 caminhões hexatrem foram aprovados para os testes.
A comparação da capacidade entre os dois tipos de veículos ilustra o impacto antecipado. Cada hexatrem é capaz de substituir cerca de três caminhões tritrem. Deste modo, os 41 veículos autorizados equivalem a aproximadamente 123 tritrens.
Na prática, o uso dos hexatrens nos percursos sem pavimentação permitirá concentrar um volume maior de madeira em cada veículo, reduzindo, assim, a necessidade de tráfego dos tritrens nas rodovias asfaltadas.
Este é um dos pontos-chave da iniciativa: os hexatrens não são implementados para ampliar a quantidade de grandes composições nas rodovias pavimentadas. A intenção é exatamente o oposto — transportar um volume maior de carga nos trechos não pavimentados, o que resultará na diminuição da presença de veículos pesados nas vias asfaltadas.
A operação será ininterrupta, funcionando 24 horas por dia. De acordo com informações levantadas pela reportagem, as composições que atenderão Três Lagoas terão capacidade para até 180 metros cúbicos, enquanto as destinadas à unidade de Ribas do Rio Pardo poderão carregar até 200 metros cúbicos.
Distanciamento e velocidade sob controle
Além da limitação a trechos não pavimentados previamente estabelecidos, a operação implementará protocolos específicos para mitigar riscos e impedir a formação de comboios.
Entre as normas, destaca-se a obrigatoriedade de manter uma distância mínima de 300 metros entre as composições. Conforme dados obtidos, a Suzano já pratica em suas rotinas operacionais espaçamentos maiores do que o mínimo exigido, com o intuito de reforçar a segurança.
A velocidade também será restrita. Os hexatrens operarão com uma velocidade máxima de 35 km/h, monitorada por sistemas de controle e rastreamento.
O propósito dessas ações é permitir que uma composição de maior capacidade opere em um ambiente previamente analisado, seguindo parâmetros rigorosos de velocidade, distância e monitoramento, evitando que esse tipo de operação seja transferido para as rodovias asfaltadas.
Monitoramento 24 horas garantido
A fiscalização dos veículos constituirá outro elemento crucial do período de testes. A Suzano comunicou que fortalecerá os mecanismos de controle e acompanhamento em todos os trajetos permitidos.
(Imagem: Sala de monitoramento da unidade de Ribas do Rio Pardo. Crédito: Assessoria)
Adicionalmente às tecnologias já empregadas pela companhia, câmeras serão instaladas em locais estratégicos das rodovias estaduais abrangidas pelo estudo. Esses equipamentos serão interligados à Central de Monitoramento da empresa, que já realiza o acompanhamento da frota de transporte de madeira.
O aparato de segurança compreende monitoramento contínuo, rastreamento via satélite dos veículos, controle de velocidade, câmeras, sistemas para detectar sinais de fadiga nos condutores, salas de estimulação para combater o sono e dispositivos de controle para prevenir a formação de comboios.
Dessa forma, todo o trajeto, desde a partida do horto florestal até a chegada à unidade industrial, poderá ser monitorado.
Hexatrens limitados a trechos predefinidos
A permissão não autoriza a circulação irrestrita das composições pelas rodovias estaduais. O período de testes está restrito a trechos específicos e não pavimentados, que foram determinados com base em estudos técnicos prévios.
Trechos das seguintes rodovias estaduais estão incluídos:
- MS-357, em Ribas do Rio Pardo;
- MS-338, em Ribas do Rio Pardo;
- MS-456, em dois trechos de Ribas do Rio Pardo, entre os marcos 5 e 6 e entre os marcos 7 e 8;
- MS-340, em Ribas do Rio Pardo;
- MS-459, em Três Lagoas.
A Suzano informa que, antes da escolha desses percursos, foram conduzidos estudos que analisaram as condições das vias e o fluxo de veículos, a fim de determinar a viabilidade e a segurança da operação.
A empresa também declara que já colabora com a manutenção, conservação e aprimoramento das rodovias envolvidas, e que essas ações serão continuadas e intensificadas ao longo dos 12 meses de testes.
Experiência interna da empresa iniciou em 2019
(Imagem: Hexatrem com 52 metros de extensão e seis semirreboques, transportando até 200 toneladas de toras de eucalipto. Crédito: Arquivo)
Embora a circulação experimental em trechos estaduais marque uma nova fase, o hexatrem não é uma novidade nas operações da Suzano.
A empresa relata que esses veículos são empregados desde 2019 em operações internas, dentro de ambientes controlados. A Suzano assegura que os resultados acumulados nesse período evidenciam a segurança e a eficiência no transporte de madeira.
Com a aprovação da Senatran, a experiência avança agora para uma fase de avaliação em trechos não pavimentados de rodovias estaduais, previamente selecionados.
A Portaria nº 571 estabelece a coleta de dados técnicos e operacionais durante o período experimental. Essas informações poderão servir de base para futuros estudos sobre a regulamentação desse tipo de composição veicular.
Foco na redução da exposição em vias pavimentadas
Em comunicado oficial sobre o tema, a Suzano reiterou que a autorização experimental está ligada à inovação operacional, mas, acima de tudo, aos requisitos de segurança.
A companhia enfatiza que a avaliação será feita exclusivamente nos trechos não pavimentados previamente estabelecidos, com monitoramento constante das operações e do estado das vias.
Do ponto de vista logístico, o emprego de veículos de maior capacidade viabiliza o transporte de mais madeira com menos viagens. Considerando que cada hexatrem substitui cerca de três tritrens, a operação dos 41 veículos autorizados corresponde a uma equivalência de aproximadamente 123 composições tritrem.
Essa redução é o cerne da estratégia: concentrar o transporte de madeira nos hexatrens, dentro dos trechos não pavimentados permitidos e, por conseguinte, reduzir a circulação de tritrens nas rodovias asfaltadas.
Portanto, ao contrário da interpretação difundida em algumas redes sociais, a autorização não implica na circulação generalizada de hexatrens pelas rodovias asfaltadas de Mato Grosso do Sul. O projeto experimental define percursos específicos, controle rigoroso de velocidade, distanciamento entre os veículos e monitoramento contínuo, com o objetivo declarado pela Suzano de aumentar a segurança operacional e diminuir a presença de veículos pesados nas vias pavimentadas.