Mato Grosso do Sul começou 2026 integrando o grupo de elite do agronegócio brasileiro. Dados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgados pelo IBGE nesta quinta-feira (12), mostram que o Estado é responsável por 7,6% da produção nacional estimada de cereais, leguminosas e oleaginosas, assegurando sua posição no “Top 5 no agro” do país. O resultado evidencia a força do Centro-Oeste, região que detém quase metade da produção nacional esperada para este ciclo.
No cenário regional, o Centro-Oeste se sobressai com 48,9% da produção brasileira, totalizando 167,5 milhões de toneladas. Apesar da estimativa indicar uma variação anual negativa para a região (-6,2% em relação a 2025), o levantamento mais recente demonstra uma evolução: entre dezembro e janeiro, a projeção regional cresceu 1,6%, indicando uma recuperação nas perspectivas de curto prazo.
Safra do Brasil: Retração Anual, Melhora no Curto Prazo
Em todo o país, o IBGE estima uma safra de 342,7 milhões de toneladas em 2026. Esse número representa um decréscimo de 1,0% em relação à produção consolidada de 2025, representando 3,4 milhões de toneladas a menos. Contudo, a análise de janeiro ficou 0,8% acima do que havia sido previsto em dezembro, com um aumento de 2,8 milhões de toneladas na estimativa.
Apesar da variação do volume, a expansão territorial do plantio continua em alta. A área a ser colhida no Brasil foi estimada em 82,7 milhões de hectares, um aumento de 1,4% em relação a 2025, o que corresponde a 1,1 milhão de hectares adicionais na comparação anual.
Ranking: A Concentração da Produção de Grãos
No panorama dos estados, Mato Grosso do Sul mantém uma posição de destaque ao lado de polos tradicionais. O ranking de participação na produção nacional, de acordo com o levantamento, está distribuído da seguinte forma:
- Mato Grosso: 30,3%
- Paraná: 13,9%
- Rio Grande do Sul: 11,8%
- Goiás: 10,6%
- Mato Grosso do Sul: 7,6%
- Minas Gerais: 5,4%
Em conjunto, esses seis estados respondem por quase 80% de toda a produção brasileira de grãos estimada para 2026. A presença constante de MS nesse grupo indica uma relevância estratégica para o abastecimento e para o balanço do agro, já que o Estado contribui para sustentar a liderança regional do Centro-Oeste.
Soja em Patamar Recorde e Pressão do Milho no Total
A base da safra permanece centrada no tripé soja, milho e arroz, que representam 92,9% do total estimado. A soja se destaca e deve atingir um novo recorde, com 172,5 milhões de toneladas, um aumento de 3,9% em relação a 2025. A produtividade média esperada cresce 3,4%, chegando perto de 3.600 kg por hectare. No contexto nacional, Mato Grosso se destaca como o principal produtor, com 48,5 milhões de toneladas.
O milho, por outro lado, surge como o principal fator de redução no volume total. A projeção para 2026 é de 133,8 milhões de toneladas, uma queda de 5,6%. O impacto da retração está na 2ª safra (safrinha), estimada em -9,3%, enquanto a 1ª safra tende a crescer 11,3%. Na análise da 2ª safra, Mato Grosso detém 47,5% do total nacional, seguido por Paraná e Goiás. Já na 1ª safra, o Rio Grande do Sul é apontado como destaque.
O arroz em casca completa o tripé com uma projeção de 11,7 milhões de toneladas, uma diminuição de 7,9%, acompanhada por uma redução na área plantada.
Outras Culturas e Abastecimento
O levantamento também apresenta indicadores relevantes para o mercado interno e cadeias específicas. A safra de feijão foi estimada em 3,0 milhões de toneladas, um volume considerado suficiente para suprir o consumo interno sem necessidade de importação. O algodão mostra uma queda de 11,0%, com Mato Grosso concentrando mais de 70% da produção nacional. Já o gergelim passou a ser monitorado pelo IBGE, com uma previsão de 362,5 mil toneladas, e Mato Grosso lidera com mais de 60% desse volume.
A próxima atualização do LSPA está agendada para 13 de março de 2026, quando os números poderão ser ajustados com base na evolução da colheita e em novos dados de produtividade.