Uso Prolongado de Celulares e Jogos: Um Alerta da Neurociência
Celulares, tablets, videogames e computadores se tornaram elementos centrais na vida de jovens, mas o cérebro em desenvolvimento pode não acompanhar essa evolução tecnológica, gerando consequências negativas.
Estudos em neurociência indicam que a exposição excessiva às telas causa uma sobrecarga sensorial contínua, afetando áreas cerebrais ligadas ao prazer, foco e aprendizado. Isso pode levar a comportamentos semelhantes ao vício, com busca constante por estímulos.
O médico Oacir Rezende explica que cada interação nas telas libera dopamina, neurotransmissor da recompensa. Com o tempo, o cérebro precisa de estímulos maiores para obter a mesma satisfação.
“Inicia-se um ciclo de busca incessante por novidades, diminuindo a capacidade de concentração em atividades que demandam mais tempo e esforço cognitivo, como leitura e estudo. Isso prejudica a atenção, a memória e a aprendizagem”, explica o especialista.
A atenção também é afetada, pois o cérebro acostumado a alternar entre aplicativos encontra dificuldades em manter o foco, organizar informações e reter dados. No ambiente escolar, isso se manifesta em baixo rendimento e impulsividade.
Em crianças, o impacto é ainda maior, pois o tempo em frente às telas substitui experiências importantes para o desenvolvimento, como brincar, explorar o ambiente e interagir com outras pessoas. Isso pode causar atrasos na linguagem, dificuldades motoras e problemas sociais.
Na adolescência, o uso excessivo de telas está associado a ansiedade, depressão e isolamento, além da comparação com padrões irreais nas redes sociais, que afeta a autoestima.
“A luz azul das telas prejudica o sono, pois inibe a produção de melatonina, hormônio que regula o ciclo do sono, afetando a memória, o humor e o raciocínio”, ressalta Rezende.
Alguns especialistas usam termos como “demência digital” para descrever a redução da capacidade cognitiva causada pelo uso excessivo de tecnologia. Embora não sejam diagnósticos formais, refletem a preocupação com a capacidade do cérebro de se adaptar e resolver problemas.
Diante disso, a solução não é a proibição, mas o equilíbrio. “É fundamental limitar o tempo de tela, criar horários sem dispositivos, proteger o sono, incentivar atividades físicas, leitura e interação social para preservar o desenvolvimento saudável do cérebro”, conclui o médico.