Curadoria Inteligente
05/04/2026 | 4 min leitura

Pesquisa revela que mães são as principais cuidadoras de autistas

Estudo inédito aponta que mães são as principais cuidadoras de autistas no Brasil e que diagnóstico tem ocorrido mais cedo.

Pesquisa revela que mães são as principais cuidadoras de autistas

Um estudo revelou que, no Brasil, as mulheres são as principais cuidadoras de pessoas com autismo. A emoção da advogada Anaiara Ribeiro, de 43 anos, ao ver seu filho João, de 18 anos, ingressar na faculdade de jornalismo em Brasília, é um exemplo disso.

Anaiara, que sempre foi parceira de João, resolveu se matricular na faculdade para compartilhar a experiência com ele. O diagnóstico de autismo (leve a moderado) veio quando João tinha 8 anos, confirmando o que Anaiara já percebia desde os dois anos, quando iniciou uma jornada de consultas com diversos especialistas.

Para dar mais suporte ao filho, Anaiara pediu demissão do emprego e passou a trabalhar como autônoma, dedicando noites, feriados e finais de semana aos cuidados de João. Após o divórcio, a realidade de Anaiara se tornou ainda mais comum: a de uma mulher como principal cuidadora de uma pessoa com autismo.

Essa constatação é um dos resultados do Mapa do Autismo no Brasil, que coletou respostas de 23.632 pessoas em todos os estados.

Pesquisa

Os dados completos serão divulgados na próxima quinta-feira, 9 de abril, após o dia de conscientização sobre o autismo (2 de abril). Do total de participantes, 18.175 são responsáveis por pessoas autistas, 2.221 são responsáveis e também estão dentro do espectro, e 4.604 são pessoas autistas com mais de 18 anos.

O mapeamento, iniciativa inédita do Instituto Autismos, destaca o papel fundamental das mulheres no cuidado.

Segundo a presidente do instituto, Ana Carolina Steinkopf, a maioria das cuidadoras são mulheres que não estão no mercado de trabalho, o que demonstra a centralidade do cuidado.

Diagnóstico Precoce

Uma notícia positiva é que a média de idade do diagnóstico tem se aproximado dos padrões internacionais, em torno dos 4 anos, diferente da experiência de Anaiara e João. Quanto mais cedo o diagnóstico, melhores as chances de tratamentos e cuidados adequados.

O levantamento também aponta que as famílias gastam mais de R$ 1 mil com terapias, utilizando principalmente planos de saúde. Famílias do Norte e Nordeste recorrem mais ao sistema público de saúde.

Sistema Público

O governo federal informou que ampliou a assistência a pessoas com transtorno do espectro autista com investimento de R$ 83 milhões.

O Ministério da Saúde anunciou a habilitação de 59 novos serviços, incluindo Centros Especializados em Reabilitação (CER), oficinas ortopédicas e transporte adaptado. As portarias serão assinadas nesta quinta-feira.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o objetivo é estruturar uma rede cada vez mais preparada para cuidar de pessoas com TEA no SUS, desde a identificação precoce até o atendimento especializado.

Recomendações

A pesquisadora Ana Carolina Steinkopf informou que o poder público receberá recomendações de melhoria no atendimento com base nos dados do mapeamento. Ela também destacou o aumento da sensibilização e conscientização sobre o autismo.

A conscientização é fundamental para impulsionar pesquisas e formar especialistas. Estima-se que 2,4 milhões de pessoas sejam autistas no Brasil, segundo o IBGE.

Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as chances de as famílias buscarem seus direitos, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e ações de inclusão na educação, saúde e bem-estar.

Direitos

A inclusão em espaços de lazer, com descontos para a pessoa com autismo e acompanhante, é um exemplo de direito conquistado.

Após o divórcio, Anaiara refez sua vida e se casou novamente, tendo uma filha desse novo relacionamento.

A advogada se considera uma exceção, pois muitas mães de autistas permanecem solteiras ou separadas, enfrentando o abandono dos pais. Ela se sente feliz por ter encontrado um parceiro que assumiu a paternidade de João.

Original em Radio Caçula

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